Desnormalizar o normalismo
O desenvolvimento da estatística nos séculos XVIII e XIX coexiste à consolidação da normalidade como um valor social. A quantidade média de ocorrências num processo de medição passou a ser o ponto zero de normalidade na avaliação de quaisquer qualidades do corpo humano. Estatura normal, peso normal, visão normal, audição normal, locomoção normal, inteligência normal, passaram a ser definidas. Assim, define-se um padrão de normalidade corporal e quem for diferente é descriminado!
A média estatística como valor de normalidade é relativa, depende da amostra. A possibilidade de “alterar a amostra” está na base do surgimento da eugenia entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX. Os estatísticos eugenistas ingleses e estadunidenses acreditavam que, manipulando o processo hereditário, seria possível alterar a espécie humana como um todo. Melhorá-la, diziam eles. Mas a quem pertence o poder de definir os critérios do que seja bom e ruim? O auge da eugenia foi o nazismo, que marcou a história da humanidade como a expressão mais desumana de normalismo.
A normalidade é reproduzida de alguma forma por todos os grupos sociais, inclusive pelas pessoas com deficiência e familiares. Pretendemos chegar, e fazer chegar nossos parentes, o mais próximo da média, sem consciência que assim alimentamos o normalismo que nos oprime a todos independentemente de nossas diferenças.
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