de Ubiratan Garcia Vieira
Sabem o que me incomoda em certa perspectiva biomédica? Primeiro, a normalização: nossos filhos se tornam uma ocorrência mais ou menos dentro, mais ou menos fora da média do que na biomedicina se acredita seja um padrão normal de desenvolvimento da criança com trissomia21. Segundo, a alienação do profissional de saúde, que estando por vezes tão cheio de si, do conhecimento que adquiriu (pagando de fato), sequer te pergunta como seu filho se comporta em casa, o que faz! Esse profissional age como quem já sabe e não precisa perguntar. Para isso investiu seu esforço em um curso de graduação ou em um curso técnico. O momento do atendimento é a única referência na qual é capaz de confiar, chegando ao cúmulo de colocar em suspeita a veracidade do depoimento do pai o da mãe, pois não condizem com sua referência.
Quando o profissional de saúde estuda sua profissão, ele se apropria de valores sociais que vem com o vocabulário que ele precisa adquirir (pagando de fato) para fazer parte do grupo dos profissionais de saúde. Deformidades, atrofias, malformações, insuficiências, atrasos, anormalidades, aberrações, distúrbios, anomalias, desvios… É com quem domina este vocabulário que temos que lidar!
Os profissionais de saúde sabem dos valores que reproduzem? Talvez saibam e promovam esses valores, talvez não saibam e promovam esses valores do mesmo jeito. Talvez saibam e lutam contra isso!
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