de Ubiratan Garcia Vieira

Maria, terapeuta ocupacional do pequeno, aproveitando a presença de ambos na clínica entrevistou minha mulher e eu a respeito do nosso filho. É a avaliação das férias. Foi uma ótima entrevista. Primeiro fez uma série de perguntas para se informar. No lugar daquelas perguntas que põem um sim, ou um não, na nossa boca, Maria fez perguntas de falar do pequeno. E falamos e descrevemos na clínica o que apreciamos em casa: “ele faz assim e assado” dissemos na clínica, “olha lá, que gracinha!” dissemos em casa. Essas coisas. Também falamos de nossas dúvidas quanto a nossa percepção do tempero forte do pequeno. Da birra, da forma de chamar nossa atenção – e nos a dele – e da forma dele lutar pelos seus direitos. “E preciso distinguir quando faz birra, de quando está lutando pelos seus direitos”, disse a Maria do pequeno.

Foi uma grata surpresa o comentário. Quer dizer, claro que Francisco deve lutar pelos seus direitos, afinal o contexto é excludente. “Sabe de que planeta são esses seres?”, pergunta o ufólogo na calçada. “Minha filha adora especiais”, comenta a mãe, oferecendo-se de fotógrafa no parque. “Para mim eles também são normais”, diz a moça oferecendo amizade por email. Então, sem fazer desfeita da solidariedade dos outros, é preciso lutar pelos seus direitos, meu filho, cuidado com os direitos que os outros vão lhe dar! Direito ao visto de residência como extraterrestre, direito a ser considerado excepcional, direito a normalização.

A pauta de Francisco na luta pelos seus direitos está voltada na atual conjuntura para o direito do comes e bebes. Direito a comer o purezinho de batata, a carne com molhinho e, se acabar antes do querer… é a luta pelo direito e o prato voa longe!



One Response to “Ele luta pelos seus direitos”  


  1. 1 O que são deficiências? (no PL7699) « d i s d e f i c i ê n c i a

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