de Ubiratan Garcia Vieira
Já que vem de se celebrar a luta pela cidadania neste início de primavera, um trecho da introdução de Eugenia Augusta Gonzaga Fávero ao seu livro Direitos das pessoas com deficiência, publicado em São Paulo em 2004.
E falando em filhos que tem alguma deficiência, meus caros pais, para encerrar essa introdução, eu queria partilhar com vocês uma reflexão sobre a frase que ouvimos com freqüência no hospital: “este vai ser seu para sempre”. É uma frase que acaba sendo um conforto, até porque no fundo, o que quase todos nós queremos é ter todos os nossos filhos para sempre; mas sabemos que não pode ser assim e, aos poucos vamos aprendendo a conter o nosso desejo de superproteção. Porém, quando ouvimos essa frase, pensamos que, dessa vez, poderemos (ou deveremos) proteger esse filho tanto quanto quisermos. Mas eu quero dizer uma coisa diferente os filhos com deficiência também não são nossos para sempre. Da mesma forma que todos os nossos frutos, eles não são nossos filhos. Nas palavras de Gibran Kahlil Gibran: “são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E, embora vivam convosco não vos pertencem”. Minha intenção [neste livro] é demonstrar que esse direito de pertencer à vida (de preferência, serena e naturalmente, como a jovem que citei no início) pode ser muito bem garantido pelo ordenamento jurídico. Vamos, então, a ele!
E segue, para a fortuna do leitor, Eugenia Fávero, mãe e procuradora da república, discorrendo sobre tudo que é direito que pode ser reivindicado pelas pessoas com deficiência.
Eugência Fávero escreveu com Luisa Pantoja e Maria Tereza Mantoan a cartilha, O acesso de alunos com deficiência às escolas e classes comuns da rede regular, publicada pelo Ministério Público Federal no mesmo ano de 2004.
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