de Ubiratan Garcia Vieira

O livro Nothing about us without us: disability oppression and empowerment (2000) de James I. Charlton deveria ser traduzido ao português. Resultado de uma pesquisa com lideranças do movimento de pessoas com deficiência no mundo, trata-se de um livro que promove o outro lado da opressão: o empoderamento. Escreve J I Charlton:

O poder do slogan deriva da forma como localiza a fonte de muitos tipos de opressão relacionados à deficiência e da simultânea oposição a tal fonte de opressão no contexto do controle e da voz.

“Nada sobre nós sem nós” ressoa com a filosofia e a história do Movimento pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, um movimento que embarcou em uma missão tardia paralela a outros movimentos de libertação. [...] O controle tem um apelo universal para os ativistas do Movimento pelos Direitos das Pessoas com Deficiência pelas necessidades das pessoas com deficiência e o potencial que tem de atender a estas necessidades que estão por todo lado condicionadas pela dependência nascida da impotência, pobreza, degradação e institucionalização. Esta dependência saturada de paternalismo, inicia com o advento da deficiência e continua até a morte. A condição de dependência é típica para centenas de milhões de pessoas no mundo todo.

Apenas nos últimos vinte e cinco anos esta condição tem começado a mudar. Apesar de pouco percebida e afetando apenas uma pequena porcentagem de pessoas com deficiência, esta transformação é profunda. Pela primeira vez na história registrada da humanidade pessoas com deficiência ativas estão começando a proclamar que sabem o que é melhor para elas e sua comunidade. Esta é uma pretensão ativista e reveladora contida com acerto no slogan “Nada sobre nós sem nós”

Consta dos agradecimentos seis brasileiros e brasileiras entre as pessoas entrevistadas na pesquisa:

  • Arnaldo Godoy. Professor de história, ativista e vereador de Belo Horizonte.
  • Maria da Conceição Caussat. Advogada, ativista do Rio de Janeiro.
  • Maria Luiza Câmara. Escritora, ativista de Salvador.
  • Maria Paula Teperino. Advogada, ativista do Rio de Janeiro
  • Paulo Saturnino Figueiredo. Sociólogo, ativista de Belo Horizonte.
  • Rosângela Berman Bieler. Jornalista, ativista do Rio de Janeiro.


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