de Ubiratan Vieira

O momento que vivemos nós familiares, pessoas com deficiência e profissionais da saúde e educação não é fácil. Não há nem sequer uma linha tênue que permita a gente avaliar se o passo que damos é para frente ou para atrás. Não me refiro aos projetos políticos do movimento, que no âmbito nacional, agora mais do que nunca, está entre o patrimonialismo em Brasília, única cidade de urbanismo acessível no Brasil, e o liberalismo na internet, que não é espaço, mas é acessível, pelo menos no projeto.

Quando sugiro que “não é fácil”, me refiro à luta de todo dia, em casa, nos atendimentos e na escola. Ao levantar a bandeira da inclusão cuidamos para não fincá-la no peito do companheiro de luta? Pois, se familiar, se diverso-corporal (i.e. “pessoa com deficiência”), se profissional de saúde ou da educação; todos estão na luta mesmo que não queiram, mesmo que sua posição seja para nós um horror. Não estou dizendo com isso que temos que deixar de questionar qualquer posição que seja a nosso ver contraproducente. Como a de uma renomada professora universitária da educação especial, que acha que por valorizarmos o companheiro no exterior não merece nosso valor. Como se também não fosse local a luta do companheiro no exterior. Como se não fosse difícil lá também! Temos que combater sim esse tipo de mentalidade colonizada. Mas temos que compreender também que uma posição como essa, ela surge porque para essa pessoa também não está fácil. Vejam o que está acontecendo com os cursos de pós-graduação em educação especial: estão acabando. Já vão tarde? A questão não é essa! A questão é que mudanças precisam acontecer e o sofrimento pelo qual está passando uma professora de um programa de pós-graduação em educação especial precisa ser respeitado para que ela possa lutar no processo de mudança sem sentir que o fim não vai dar lugar ao começo. Porque, vai dar lugar ao começo.

Aconteceu com uma amiga algo que me fez pensar em tudo isso. Uma fisioterapeuta muito dedicada e carinhosa, uma profissional competente, levou um banho de xixi de uma criança levada no processo de retirada de fralda. Fazia já dois meses que a menina ia sem fralda para a fisio terapia e era o primeiro banho de urina que a fisio levava na sua experiência profissional. A coitada ficou tão chateada. Conqueta, não queria passar por essa experiência novamente. Então disse assim à mãe:

Acho legal vocês estarem tirando a fralda dela e que pode ser difícil e o esforço de vocês é muito importante, mas na fisioterapia vai ter que usar a fralda porque levei um banho de xixi, e é no primeiro horário, e não posso ficar suja o resto do dia

Em outras palavras ela se ausentou de sua responsabilidade profissional. Ela acha “legal” retirar a fralda da menina, mas ela também acha que ela nada tem a ver com isso? (pergunte à T.O.! [eta conhecimento fragmentado!]). Minha amiga ficou muito chateada e disse que ela podia muito bem levar uma muda de roupa, que essas coisas podem acontecer na profissão dela e que se ela não desse conta que fosse exercer na área esportiva. Achei minha amiga algo grossa, mas não disse nada, apenas assenti e disse que era uma pena que as próprias pessoas que trabalham não percebam que somos todos responsáveis uns pelos outros. Depois fiquei pensando nessa coisa da responsabilidade mútua. Afinal a fisio é tão competente. Minha amiga podia ter simplesmente perguntado para ela:

Mas, você está na luta com a gente? Não tá?



One Response to ““Mas, você está na luta com a gente?” - dificuldades da não exclusão”  

  1. 1 Priscila Menucci

    Quero dizer que sou uma atriz , deficiente , e também estou na luta contra a exclusão da minha atividade, pois o proprio setor nos inpede de trabalhar como tal, eles limitam atividades, fazendo com que elas se tornem socialistas, e não como uma profissinal da area artistica até onde vai o preconceito?
    Estou lutando contra todos e tudo para mudar esse caminho , esses pensamentos, para poder olharem nos , como profissionais e não assistencial, claro que precisamos da parte assistencial, pois sem ela não estariamos aqui hoje, mais ainda falta caminhar mais alguns anos para os pensamentos mudarem, tanto da sociedade que eu também vivo , quanto da politica desse pais.
    Mas com pessoas que nem você vamos longe ou vamos caminhar o sufuciente para que nossa existência fique marca….
    Priscila Menucci
    Atriz.

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