Até onde vai o seu preconceito ?
Fábio Adiron
“Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais…” (Martin Luther King)
Nós costumamos usar de uma forma bastante generalista a palavra preconceito. Falamos em preconceitos raciais, religiosos, culturais. Mas será que sempre usamos esse termo de forma correta ? Será que em outras vezes não estamos sendo nós mesmos preconceituosos ao taxar o outro como sendo ele o preconceituoso ?
A psicologia social parte do princípio que todos nós temos algum tipo de atitude – um sistema de experiências e comportamentos – e , para cada uma delas formamos um conceito racional associado a sentimentos e emoções que nos levam a uma determinada tendência de comportamento em relação a uma pessoa, objeto ou evento. Ou seja, todos nós temos alguma predisposição a olhar algo de uma forma pré-estabelecida, dentro de uma atitude que é composta de cognição, sentimentos e comportamentos.
Desta forma, entende-se o preconceito como uma atitude negativa que um indivíduo está predisposto a sentir, pensar, e conduzir-se em relação a determinado grupo de uma forma negativa previsível. O preconceito é um fato difuso e sem muitas explicações que tenta legitimar ou justificar os atos de cada pessoa.
Assim como as atitudes em geral, o preconceito tem três componentes: crenças; sentimentos e tendências comportamentais. Crenças preconceituosas são sempre estereótipos negativos.
Segundo alguns estudiosos o preconceito é o resultado das frustrações das pessoas (e de pessoas autoritárias e intolerantes) que em determinadas circunstâncias podem se transformar em hostilidade. Ao olhar para o mundo através de uma lente de categorias rígidas, elas não acreditam na natureza humana, temendo e rejeitando todos os grupos sociais aos quais não pertencem, assim, como suspeitam deles. O preconceito é uma manifestação de sua desconfiança e suspeita.
Não existe um caminho único para resolver essa questão, mas existem três maneiras mais efetivas para erradicar o preconceito.
1. Disseminação de informações científicas sobre o objeto do preconceito, assim as bases de julgamento errôneo pode ser removidas.
2. Demonstrar de forma frequente fatos sobre as pessoas que julgamos diferentes. Assim pode-se associá-los a situações favoráveis. A convivência, através de uma atitude comunitária é , talvez a forma mais adequada de se reduzir o preconceito.
3. Remoção de condições sociais e econômicas que criam dificuldades e frustrações. Investigações de grande profundidade demonstraram que pessoas continuamente frustradas são mais aptas de desenvolver preconceito, porque elas tem uma maior necessidade de um bode expiatório contra aqueles de sentimentos reprimidos de hostilidade que possam ser expressados.Cada indivíduo que desejar tomar parte na tarefa de remover o preconceito da sociedade pode fazê-lo, tornando-se bem informado sobre as descobertas da ciência a cerca do assunto, participando continuamente em atividades que estimulem a convivência na diversidade, ajudando a melhorar aquelas condições sociais gerais que trazem frustrações e dificuldades a muitos grupos de pessoas, e encorajando outros a juntar-se a ele nestes empreendimentos.
Mas há, ainda, outro fator importante para o sucesso de qualquer projeto destinado a remover o preconceito - uma fonte de motivações para causar a ação corretora, apesar da resistência que a mudança provoca.
As convicções intelectuais devem ter uma confirmação emocional, antes que resultem em ações efetivas. A humanidade deve possuir um desejo de superar o resíduo de superstições e das noções infundadas sobre pessoas e coisas, às quais muitos estão propensos a aceitar como uma simples verdade, porque elas tem sido muitas vezes repetidas pelos parentes, companheiros, e amigos íntimos.
Experimente entrar no mundo das pessoas a respeito de quem você tem alguma forma de preconceito, certamente a experiência da empatia vai ser a maior motivação que você pode encontrar.
Fábio Adiron é marketeiro e pai. Membro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e moderador do grupo Síndrome de Down.
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Fábio:
Precisamos falar muito sobre isso, sempre. Você traz caminhos para a libertaçao dos preconceitos nas pessoas. Quando isso acontece (a libertaçao) a sensaçao é a de leveza. Mas o que faz algumas pessoas terem preconceitos? Parece ser uma pergunta sem resposta. A maioria das respostas: “sempre foi assim”… ou “no meu tempo foi assim e sempre deu certo”… Uma rigidez que assusta. A resposta mais comum: “não sei”, o que considero uma resposta em fuga.
Seu texto está maravilhoso.
Pat
Eu acredito na força da convivência e da informação. Acho que a chance de um preconceito se desfazer é bem maior quando aquele que sofre o preconceito tem coragem de encarar os preconceituosos sem pré julgá-los também. Todo começo é difícil, principalmente quando as idéias preconceituosas já fazem parte da maioria (quem tem deficiência sabe bem), mas se a gente não começa, não adianta reclamar e rotular os outros. Durante muito tempo os que tinham deficiência eram considerados incapazes, improdutivos e mais um monte de “in” (há quem ainda pensae assim, eu sei.), porém, foi (é) a coragem das próprias pessoas com deficiência de encarar a sociedade e mostrar que a verdade é outra, que fez (faz) muitos mudarem seus pré conceitos para verdades. Já vivi muitas experiências que comprovam isso, mas acho que a maior de todas foi repartir virtualmente minha vida de mãe cadeirante.
Beijo