Por fim e não menos grave, a terrível comprovação: Mulheres com deficiência intelectual são, principalmente, vítimas de estupro.
E a gente ainda se omite de discutir a sexualidade no contexto escolar, no contexto universitário, sob a égide de uma moral e religião retrógradas!
A sexualidade de uma pessoa com deficiência não é, em essência, diferente da que não tem deficiência, porém as vicissitudes das relações que envolvem a sexualidade e, o próprio sexo, entre essas pessoas e entre elas e as pessoas sem deficiência são diferentes, requerendo, portanto, um olhar livre de barreiras atitudinais, como os de propagação, deslocamento e outros que inibem, dificultam ou mesmo impedem o direito do livre exercício da sexualidade, do amar, do ser amado e do fazer amor por essas pessoas.
Pessoas com deficiência têm direito ao sexo seguro, à maternidade ou paternidade e a tudo mais que envolve a sexualidade, desde sempre na vida de uma pessoa.
Logo, , temos de cuidar para que essas pessoas recebam as informações necessárias para que aprendam e apreendam as normas sociais sobre a sexualidade e suas relações ainda que, reconheçamos que tais normas sociais são, por vezes hipócritas.
O que não mais podemos aceitar é que pessoas com deficiência fiquem sujeitas à discriminações escondidas sob o manto da “defesa” dos interesses, da saúde e da segurança da pessoa com deficiência.
Basta de protecionismo barato, (”para o bem da pessoa com deficiência”), afirmação que não passa de eufemismo para justificar discriminação por razão de deficiência.
Por fim, para aqueles tentados a pensar que uma pessoa com deficiência não pode mesmo ter filho, para que depois a avó venha criar por ela, lembrem que está cheio de casos em que a avó ou outro parente assume, de fato, a criação do neto e isso sem ter relação com esta ou aquela deficiência dos pais do bebê.
No caso em tela, mais que justificada, a avó fica com o neto, para que os pais estudem.
Você não faria isso por seu filho e neto? Eu sim!
Francisco Lima é professor de UFPE e coordenador do CEI - Centro de Estudos de Inclusão
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Tudo tão simples, e as pessoas vivem a complicar tudo por conta de uma deficiência… parece que estudam tanto apenas para terem motivos e embasamento para complicarem. Deus me livre!
Francisco, muito bom seu comentário, parabéns!
Caro, Francisco,
Concordo com você, não podemos aceitar essas hipocrisias “escondidas sob o manto da “defesa” dos interesses, da saúde e da segurança da pessoa com deficiência”. O que justifica uma instituição “pública” intervir na vida privada dessa forma? Reconhecer o libre arbítrio de ser pai e de ser mãe, de realizar os desejos sexuais é reconhecer a humanidade.