de Ubiratan Garcia Vieira

O mérito do time Hoyt de triátlon não é o de aparecer num programa televisivo normal, isto é, medíocre, de domingo a noite, mas o de militar para ocupar um lugar no atletismo de resistência e para se apropriar de um espaço na mídia esportiva. Uma militância de anos.

O time Hoyt de triátlon vem nós mostrar que o ser humano não é indivisível, mas vive em relação. Afinal que deficiência tem quem leva o pai a se tornar um triatleta? O problema lingüístico de que nos fala Gil Pena está exemplificado no verbo *empurrar*, muito repetido na cobertura da mídia sobre o time Hoyt: “o pai empurra o filho”.

Se fosse para assumir uma perspectiva liberal, isto é, individualista, poderíamos dizer que, ao contrário, não é o pai que empurra o filho, mas o filho que puxa o pai. Isso! Cadê os (micro)economistas? Gente, o pai tá roubando no triátlon! Ele está sendo puxado pelo filho que, apesar de aparentemente pouco se mexer, leva seu pai a “superar” seus limites!

Mas, pensando no time Hoyt, quem tem que superar os limites é o programa de televisão. O pai empurra o filho? Trata-se de pai e filho correndo, nadando e pedalando e dessa forma contribuindo para que possamos ter um minuto de reflexão para pensarmos o que constitui as relações humanas. Em que momento da nossa trajetória humana passamos a perceber as relações de time como relações em que um indivíduo puxa ou empurra o outro? Poderemos com o time Hoyt aceitar o fato de que somos divisíveis, dependentes e, sobre tudo, passíveis de sermos levados por uma vontade que não nos pertence e que mesmo assim é nossa?



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