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	<title>d i s d e f i c i ê n c i a</title>
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	<description>um blog sobre o discurso sobre deficiências</description>
	<pubDate>Wed, 10 Dec 2008 16:57:07 +0000</pubDate>
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		<title>d i s d e f i c i ê n c i a</title>
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		<title>Aprender é construir caminhos</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Dec 2008 23:57:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gilpena</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Gil Pena*
A aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo humano não são coisas simples. A psicologia e a pedagogia, há muito tempo, ocupam-se de investigar como se dão esses processos. De modo a tornar essa compreensão mais facilmente assimilável, é esperado que surjam idéias ou modelos que contornem as dificuldades que enfrentamos nesse processo de compreensão. Podemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><span style="font-size:small;font-family:Times New Roman;"><strong>Gil</strong> <strong>Pena*</strong></span></p>
<p>A aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo humano não são coisas simples. A psicologia e a pedagogia, há muito tempo, ocupam-se de investigar como se dão esses processos. De modo a tornar essa compreensão mais facilmente assimilável, é esperado que surjam idéias ou modelos que contornem as dificuldades que enfrentamos nesse processo de compreensão. Podemos compreender a relação entre organismo e ambiente, expressando a idéia de que o desenvolvimento cognitivo da criança coincide com seu desenvolvimento cultural. A partir desse modelo, podemos claramente perceber que em determinado estádio de desenvolvimento do cérebro e de acumulação da experiência, a criança adquire a linguagem; em outro estádio, domina o sistema numérico; mais a frente, em condições favoráveis, a álgebra. Nesse modelo, percebe-se uma total concordância das linhas de desenvolvimento – o desenvolvimento biológico natural da criança gradativamente transforma-se na linha do desenvolvimento cultural.</p>
<p>Esse modelo considera que estrutura biológica produz o caminho, a estrada, que leva ao desenvolvimento cultural. Estradas, como aquisições culturais humanas, existem para transformar nossas viagens em processos simples, lineares, sem interrupções ou desvios. Uma estrada, uma vez pronta, acabada, não nos oferece obstáculos, possibilitando-nos progredir nessa jornada sem sobressaltos.</p>
<p>Estradas são construídas para transformar nossas viagens em um processo simples. A educação da criança seguindo o caminho produzido pelo desenvolvimento cognitivo, pode ser feita sem sobressaltos. Nesse modelo, por suas simplificações, não percebemos que a estrada, o caminho, representa uma aquisição cultural humana. Trafegando atentamente por uma estrada, é possível perceber, no seu processo de construção, uma história de superação dos obstáculos: contornamos uma serra que seria intransponível, estendemos uma ponte sobre um rio ou abismo, terraplenamos, cortamos um morro, aterramos uma baixada. Concluída, a estrada sugere uma convergência, uma transição espontânea, entre a natureza e a própria estrada. A partir da forma como ela se adapta à paisagem, criamos o entendimento de que ela só poderia ser assim, e não de outra forma; a natureza determina o caminho traçado pela estrada.</p>
<p>Do mesmo modo, todo o aparato da cultura está tão adaptado à organização psico-fisiológica do homem, que nos parece natural a congruência que existe entre o biológico e o cultural: o plano do desenvolvimento cultural humano já está dado pela organização biológica do cérebro. Nesse modelo, a aprendizagem ou a aquisição cultural humana resultam de um trabalho cooperativo com o que a natureza nos disponibiliza. Esse modelo educativo está incutido em uma perspectiva que pressupõe um homem que possui visão, audição, fala, mãos e funções cerebrais intactas. A técnica e os instrumentos, signos e símbolos empregados nesse processo educativo estão destinados a esse tipo “normal” de pessoa.</p>
<p>Esse modelo é uma simplificação do processo de aprendizado e desenvolvimento humano. Há muitas situações complexas, existentes na natureza, que esse modelo não consegue explicar satisfatoriamente. Ocasionalmente, a educação apresenta-se com novos obstáculos ou desafios, que essa noção do desenvolvimento cognitivo e aprendizagem não consegue contornar ou vencer.</p>
<p>Na medida em que surjam novos e diferentes obstáculos, como a pessoa cega, surda ou com alteração de qualquer função cerebral, é possível perceber que o desenvolvimento cognitivo e cultural não são convergentes. Deixados à própria sorte, ao seu desenvolvimento natural, uma criança surda não aprende a linguagem, o cego não saberá ler, a criança com déficit cognitivo não se apropriará das ferramentas da cultura. Essas situações nos impõem pensar de outra maneira: o desenvolvimento cultural e o cognitivo caminham desencontrados. Aprender significa vencer os obstáculos, contornar as dificuldades, estender pontes cognitivas.</p>
<p>A aquisição cultural humana modifica a natureza, superando obstáculos e limites. O caminho não está dado pela natureza; a estrada, como construção humana, consiste em um plano de intervenção que nos possibilita contornar os problemas, fazer voltas que nos levem à solução do problema apresentado. Os caminhos cognitivos que usamos na solução de problemas estão baseados em voltas, rodeios ou atalhos culturais. Ao manipular grandes quantidades, usamos números em ordens de unidade, dezena, centena, milhar etc. A soma desses números não se faz diretamente, mas ordem a ordem, mediante um algoritmo, o que contorna a dificuldade que temos em lidar com essas quantidades brutas. O desenvolvimento cultural, ao criar rodeios, diverge da linha de desenvolvimento cognitivo.</p>
<p>A educação da criança deve proporcionar a possibilidade de aquisição das ferramentas culturais, superando-se as dificuldades, criando rodeios para as limitações que apresenta. A falta de visão não impossibilita a aprendizagem da leitura, se oferecemos um sistema alternativo de símbolos e signos, reconhecíveis pelo tato, como o sistema Braille. A pessoa surda pode “ouvir” pelos olhos, na medida em que decifra as palavras pelo movimento dos lábios de seu interlocutor, apropriando-se da linguagem humana, que constitui o principal instrumento do pensamento. O déficit cognitivo pode ser compensado, se encontramos caminhos culturais alternativos que possibilitem a aquisição das ferramentas culturais pelo indivíduo.</p>
<p>O desenvolvimento cognitivo é um processo de transformação da organização biológica do indivíduo, a partir da aquisição das ferramentas culturais. Não há um caminho dado, por onde deve passar a estrada. Há, sim, obstáculos e, criando desvios, rodeios ou atalhos culturais, construímos o caminho.</p>
<p>Entendida a educação como um processo de luta, de ruptura entre o biológico e o cultural, vemos que é a cultura que abre o caminho para a nossa estrada. Se omitirmos a cultura do processo educativo, somos vencidos pelo biológico, e o desenvolvimento cognitivo não se estabelece. É preciso entender a cultura como o conjunto de ferramentas, de símbolos e signos que o indivíduo usa nesse processo de construção. A cada indivíduo devemos oferecer símbolos e signos adequados conforme a sua própria estrutura e organização biológica.</p>
<p>Levando o modelo de volta ao mundo, podemos compreender que a educação do tipo “normal” de pessoa segue esses mesmos princípios. A mudança radical que representa a passagem do balbucio à linguagem não se pode interpretar como um desenvolvimento biológico, gradativo e linear. A força motriz dada pela cultura é que irrompe o caminho, que abre espaço para que essa transformação ocorra.</p>
<p>Esses dois modelos distintos dão explicações diferentes para a relação entre o desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem. A concepção de Vigotski é a de que o aprendizado puxa o desenvolvimento, abrindo o caminho para que esse ocorra: a construção do caminho representa uma luta entre o biológico e o cultural.</p>
<p>A opção por um ou outro modelo é uma decisão humana. A opção do educador, em relação ao seu modelo de pensamento, reflete o seu compromisso histórico com os educandos. A tendência de escolher por um modelo mais simples denota a nossa incapacidade de lidar com as complexidades do mundo, a nossa preferência pela padronização, a facilidade em eliminar determinadas variáveis para que tal modelo funcione. A simplicidade de nossos modelos explicativos tem, a todo momento, de ser confrontada com a complexidade do mundo. Como seres humanos, estamos inseridos em contextos sociais e políticos particularmente complexos. Na visão de Paulo Freire, não se pode pensar o processo educativo sem a conscientização do educando de sua inserção nestes contextos. Aqui, mais uma vez, surge a noção de ruptura, quando buscamos que nossa realização humana ultrapasse os limites impostos pelas limitações do ambiente, seja a própria natureza, seja o contexto social, econômico ou o político. Mais uma vez, temos de resistir a modelos com tendência à simplificação, que eliminam a complexidade do contexto social e político em que estamos inseridos.</p>
<p>Queremos um mundo simples, passível de nossa compreensão, mas o mundo que se apresenta aos nossos olhos é complexo. Na busca pela simplicidade, idealizamos modelos de pensamento, categorizamos e classificamos, padronizamos, eliminamos variáveis, para tornar mais simples a nossa compreensão do mundo. Na medida em que incorporamos esses modelos de pensamento ao nosso modo de viver, é difícil percebê-los como uma construção humana, e nos imaginamos em um universo dado. Como uma estrada que vai de uma cidade a outra torna simples a jornada e nem precisamos nos dar conta dos obstáculos contornados ou vencidos por ela. Às vezes nos maravilhamos com uma ponte, como fantástica obra de engenharia, mas essa e outras engenhosidades humanas obscurecem o obstáculo que existia, e estando pronta, a vemos como integrada à paisagem, e nos parece natural que ela esteja ali. Do mesmo modo, estando incorporada ao nosso modo de viver, nos parece natural a maneira que lidamos e operamos com quantidades numéricas, ou com a linguagem. Rodeios e pontes cognitivas são estratégias culturais do pensamento humano para lidar com os problemas, contornando e vencendo as dificuldades e os obstáculos de estar vivendo em um mundo complexo.</p>
<p>Um mundo complexo não nos oferece apenas um caminho, um traçado possível para sua compreensão. Há encruzilhadas, onde temos a oportunidade de escolher que caminho tomar. Em determinado caminho, deixa-se para traz a diversidade, porque essa estrada não serve a todos. Há a possibilidade de outros caminhos, tentando não eliminar a complexidade do mundo, na diversidade biológica, cultural e social do indivíduo, sem nos abster de nosso compromisso político.</p>
<p> Criar rodeios, adaptar ou simplificar são artifícios, estratégias culturais, que nos possibilitam aprender e compreender. É ingênuo acreditar que o mundo seja assim simples, como a compreensão que fazemos dele.</p>
<p>O pensador crítico exercita-se no confronto das suas idéias com o mundo, na tarefa difícil de deslindá-lo. Abdicamos de nosso papel de sujeito cultural ao admitirmos o mundo simples, explicado e compreensível, dado por nossa própria concepção cultural. A omissão de nosso papel de sujeito cultural é uma simplificação de conseqüências interessantes. Não apenas criamos a concepção de que o mundo é como nos é dado, e nosso modo de viver vai a reboque da lógica do mundo; somos objetos, não agentes nesse viver, como também matamos a vocação ontológica humana de nos construir como sujeitos e atuar transformando e retransformando o mundo.</p>
<p><strong>*Gil Pena</strong> é médico patologista e pai. Dedica-se a estudos na área da educação, dentro da linha do Projeto Roma</p>
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		<title>&#8220;Aleijados contra atacam&#8221;: sobre subversão lingüística e disability studies com referência</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/10/30/aleijados-contra-atacam-sobre-subversao-linguistica-e-disability-studies-com-referencia/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 18:31:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[linguagem]]></category>

		<category><![CDATA[movimento]]></category>

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		<description><![CDATA[de Ubiratan G Vieira
&#8220;Aleijados contra-atacam&#8221; é o título de uma revisão bibliográfica elaborada por Lennard Davis, crítico literário, sobre a recente mobilização político/acadêmica estadunidense dos disability studies (um dos primeiros grupos de pesquisa/militância de disability studies surgiu na Universidade de Leeds, Inglaterra). São pesquisas sobre a representação da deficiência nas artes, as relações de dominação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;">de <strong>Ubiratan G Vieira</strong></p>
<p>&#8220;Aleijados contra-atacam&#8221; é o título de uma revisão bibliográfica elaborada por Lennard Davis, crítico literário, sobre a recente mobilização político/acadêmica estadunidense dos <em>disability studies </em>(um dos primeiros grupos de pesquisa/militância de <em>disability studies</em> surgiu na Universidade de <a title="página do Disability Archive UK, mantido pelo Center of Disability Studies" href="http://www.leeds.ac.uk/disability-studies/archiveuk/">Leeds</a>, Inglaterra). São pesquisas sobre a representação da deficiência nas artes, as relações de dominação simbólica, a interface com a sociologia e antropologia da saúde, os estudos feministas, as teorias queer, com a crítica literária, com os estudos culturais, a história da cultura e demais áreas onde se desenvolvem pesquisas sobre políticas de identidade.</p>
<p>São autores e autoras com deficiências, ou que tem uma relação intima com a temática por se tratarem de familiares ou amigos de pessoas com deficiências. O discurso do <em>disability studies</em> não é apenas acadêmico mas também militante, que vem justamente da experiência do envolvimento pessoal com a questão da deficiência. No Brasil também temos militantes/acadêmicos envolvidos intimamente com a questão da deficiência, desenvolvendo pesquisas sobre identidade, preconceito e opressão, como <a title="resultados da pesqusa no google scholar" href="http://scholar.google.com/scholar?q=L%C3%ADgia+Assump%C3%A7%C3%A3o+Amaral">Lígia Assumpção Amaral</a>, que desenvolveu estudos sobre literatura e deficiência e Suely Satow que desenvolve estudos sobre identidade e paralisia cerebral. A área de &#8220;estudos surdos&#8221; é talvez a mais organizada contando com grupos em várias cidades brasileiras e <a title="página da editora arára azul com linque para download gratuito de obras na área estudos surdos" href="http://www.editora-arara-azul.com.br/EstudosSurdos.php">publicações</a> próprias. Na linha dos <em>disability studies</em> no Brasil podemos também incluir a produção de ativistas como Fábio Adiron e Gil Pena, divulgada nas redes digitais e em blogues como neste aqui. Todos estes e muitos outros, juntos no <em>disability studies</em>, pois, em comum a característica de produzir um conhecimento engajado.</p>
<p>Aos <em>disabiity studies</em> poderíamos chamá-los em português de &#8220;estudos deficientes&#8221;. Deficientes pois nasceram sem positivismo e em vez de ter um cromatídeo de ciência e outro de política os estudos deficientes apresentam a aberração de terem um só: a mutação cienciolítica na maioria dos casos e, em alguns casos, a mutação politiência.</p>
<p>Voltando ao título do artigo de Lennard. O uso do termo &#8220;aleijados&#8221; no título do artigo de Lennard Davis tem, pois, um caráter subversivo que vem do fato de que, embora tão negativamente carregado de sentidos pejorativos, o uso do termo &#8220;aleijados&#8221; refere-se de fato a um contra-ataque. Durante tanto tempo dominado pelo discurso biomédico, os estudos deficientes se desenvolvem nas humanidades na primeira pessoa e não mais na terceira pessoa.</p>
<p>Simi Linton, escritora estadunidense, fala desse aspecto subversivo:</p>
<blockquote><p>Aleijado, capenga, aberração, usados pela comunidade de pessoas com deficiência têm um potencial transgressivo. São uteis intimamente e politicamente como meio de interpretar a opressão porque eles afirmam nosso direito de nomear a experiência.</p></blockquote>
<p style="margin:0;"><strong>Referências</strong>:</p>
<p>Davis, Lennard J. 1999. Crips strikes back: The Rise of Disability Studies. <em>American Literary History</em> 11, no. 3 (Autumn): 500-512.</p>
<p>Linton, Simi. 2006. Reassigning Meaning. In <a title="página do google books" href="http://books.google.com/books?id=r2CzOhSDmzkC&amp;pg=PA436&amp;dq=Disability+Studies:+Enabling+the+Humanities"><span style="font-style:italic;">The Disability Studies Reader</span></a>, ed. Lennard J Davis, 161-172. 2nd ed. New York: Routledge.</p>
<p><strong>Leia também:</strong></p>
<p><a title="acesso disponivel pelo portal de periódicos da capes" href="http://ejournals.ebsco.com/direct.asp?JournalID=100641">Disability and Society</a></p>
<p><a title="página do periodico, primeiros volumens disponiveis livremente, periodico ainda não disponivel no portal capes" href="http://jlcds.lupjournals.org/">Journal of Literary and Cultural Disability Studies</a></p>
<p>Snyder, Sharon L, Brenda Jo Brueggemann, and Rosemarie Garland (Ed) Thomson. 2002. <a title="linque para referência no worldcat" href="http://www.worldcat.org/oclc/49221927"><span style="font-style:italic;">Disability Studies: Enabling the Humanities</span></a>. New York: Modern Language Association of America. <strong>(inclui cd com formatos acessíveis)</strong></p>
<p><strong>Ubiratan Garcia Vieira </strong>é pai, professor e atualmente desenvolvendo pesquisas sobre identidade e deficiência.</p>
Posted in linguagem, movimento&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/disdeficiencia.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/disdeficiencia.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/disdeficiencia.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/disdeficiencia.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/disdeficiencia.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/disdeficiencia.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/disdeficiencia.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/disdeficiencia.wordpress.com/185/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/disdeficiencia.wordpress.com/185/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/disdeficiencia.wordpress.com/185/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.disdeficiencia.net&blog=1161099&post=185&subd=disdeficiencia&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Se atrever a contestar a &#8220;liberdade vigiada&#8221;: Alex Garcia</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 23:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[luta]]></category>

		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma oração, um agradecimento, uma exaltação de suas posições ideológicas, vamos ler este poema que Alex Garcia escreveu por ocasião do lançamento de seu primeiro livro:


Deus, agradeço a Ti por debruçares minha essência sobre esta terra
Dares vida ao meu corpo tendo como berço esta &#8220;&#8221;Querência Amada&#8221;
De fazer serpentear em minhas veias o sangue farrapo e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;">Uma oração, um agradecimento, uma exaltação de suas posições ideológicas, vamos ler este poema que Alex Garcia escreveu por ocasião do lançamento de seu primeiro livro:</p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://www.agapasm.com.br/surdocegueiraempiricaecientifica/imagens/livro.jpg"><img class="aligncenter" title="capa do livro, como tema, um rostro desenhado de perfil" src="http://www.agapasm.com.br/surdocegueiraempiricaecientifica/imagens/livro.jpg" alt="capa preta com titulo e nome de autor em vermelho, o tema um rosto esquemático desenhado de perfil em amarelo" width="165" height="250" /></a></p>
<blockquote>
<p style="text-align:center;">Deus, agradeço a Ti por debruçares minha essência sobre esta terra<br />
Dares vida ao meu corpo tendo como berço esta &#8220;&#8221;Querência Amada&#8221;<br />
De fazer serpentear em minhas veias o sangue farrapo e guarani<br />
De ser &#8220;filho de Sepé&#8221; e de seu ímpeto guerreiro</p>
<p style="text-align:center;">Agradeço a Ti, meu Deus, por esta incontrolável paixão pela revolucionária liberdade<br />
De fazer-me conhecer nesta existência terrena os preceitos de Che Guevara<br />
Somos companheiros, pois tremo de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo<br />
Contigo, &#8220;Che&#8221;, aprendi a endurecer sem jamais perder a ternura</p>
<p style="text-align:center;">Meu Deus Onipresente, a Ti agradeço por esta necessidade de autonomia e soberania<br />
De plantar em mim a &#8220;negação&#8221;, a &#8220;rebeldia&#8221; e a &#8220;mente inconformada&#8221;<br />
Destes movimentos aos meus movimentos de igualdade<br />
Agradecimento eterno</p>
<p style="text-align:center;">Obrigado, Deus, por ter me mostrado o &#8220;atrevimento&#8221; de &#8220;Foucalt&#8221;<br />
De fazer-me sentir em toda a plenitude a causalidade da &#8220;relação de poder&#8221;<br />
De negar constantemente a subalternidade de meu ser<br />
De me atrever a contestar a &#8220;liberdade vigiada&#8221;</p>
<p style="text-align:center;">Deus, mantenha-me assim como sou por todo o sempre<br />
Permita-me sempre ser este pequeno &#8220;Quixote sonhador&#8221;<br />
Permita-me, meu Deus, jamais perder a esperança<br />
E assim por todo o sempre, poder magnificar a vida.
</p>
<p style="text-align:center;">Alex Garcia</p>
<p style="text-align:center;">
</blockquote>
<p>Conheça a obra <a title="página de divulgação da obra" href="http://www.agapasm.com.br/surdocegueiraempiricaecientifica/index.asp">Surdocegueira: empírica e científica</a> de Alex Garcia</p>
Posted in luta, poesia&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/disdeficiencia.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/disdeficiencia.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/disdeficiencia.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/disdeficiencia.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/disdeficiencia.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/disdeficiencia.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/disdeficiencia.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/disdeficiencia.wordpress.com/176/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/disdeficiencia.wordpress.com/176/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/disdeficiencia.wordpress.com/176/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.disdeficiencia.net&blog=1161099&post=176&subd=disdeficiencia&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">capa do livro, como tema, um rostro desenhado de perfil</media:title>
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	</item>
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		<title>Síndrome de Down - mitos e realidades</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/10/10/sindrome-de-down-mitos-e-realidades/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/10/10/sindrome-de-down-mitos-e-realidades/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Oct 2008 00:39:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[luta]]></category>

		<category><![CDATA[mito]]></category>

		<category><![CDATA[opressão]]></category>

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		<description><![CDATA[Gil Pena

&#8220;Os oprimidos que introjetam a &#8220;sombra&#8221; dos opressores e seguem as suas pautas, temem a liberdade, na medida em que esta, implicando a expulsão dessa sombra, exigiria deles que &#8220;preenchessem&#8221; o vazio deixado pela expulsão com outro conteúdo&#8221; - o de sua autonomia.&#8221; (Paulo Freire - educador).

Entre os meus estudos atuais, um autor com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><strong>Gil Pena</strong></p>
<blockquote>
<p style="text-align:left;">&#8220;Os oprimidos que introjetam a &#8220;sombra&#8221; dos opressores e seguem as suas pautas, temem a liberdade, na medida em que esta, implicando a expulsão dessa sombra, exigiria deles que &#8220;preenchessem&#8221; o vazio deixado pela expulsão com outro conteúdo&#8221; - o de sua autonomia.&#8221; (Paulo Freire - educador).</p>
</blockquote>
<p style="text-align:left;">Entre os meus estudos atuais, um autor com quem estou aprendendo muito é <a title="página da widipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_freire">Paulo Freire</a>. A pergunta é: Como fazer para que nós 1400 pessoas discutamos a consciência que temos a cerca do mundo, refletindo sobre ela, de modo a termos a possibilidade de construir uma realidade diferente a partir dessa reflexão?</p>
<p>A grande delícia é a possibilidade de construir uma realidade diferente, acreditar nessa possibilidade, ver que nós mesmos ainda não estamos totalmente construídos, que ainda cabem reformas e aquisições<br />
na nossa forma de pensar, isso enquanto vivermos.</p>
<p>Nem todos compartilhamos da confiança nessa possibilidade. Haverá os que pensarão consigo mesmos: é impossível!</p>
<p>Dirão que estamos perdendo o tempo, a história está escrita e o que o futuro nos reserva, o destino já traçou, pois aos nossos filhos, veio o cromossomo a mais e não podemos mais tirá-lo dali, bloquear seus efeitos, e isso é a lei da genética, da fisiologia, da neurologia, da ciência, etc.</p>
<p>Não perceberão os que dizem que é impossível que não são eles mesmos que assim dizem, mas as &#8220;sombras&#8221; introjetadas em seus seres que lhe depositaram esses conteúdos e que foram assimilados sem reflexão. A sociedade não quer conviver com o diferente, é melhor deixá-lo fora disso, aceitemos então essa &#8220;verdade&#8221; que nos transmitem, que aceitamos como &#8220;depósitos&#8221; sem refletir, e nada de querer &#8220;ad-mirar&#8221; o mundo. É melhor então mitificar a realidade, nos dão um &#8220;falso mundo&#8221; para que possamos &#8220;ad-mirar&#8221;. Não percebemos o mundo como &#8220;problema&#8221;, mas como algo estático, a que os homens devem se ajustar.</p>
<p>A mitificação do mundo tem a ver com a ciência, a medicina, a pedagogia tradicional, a sociologia, a psicologia: nos apresentam a realidade, como &#8220;comunicados&#8221;, não nos é dada a oportunidade de<br />
diálogo, de querer entender o que se passa, são mitos necessários à manutenção do &#8220;status quo&#8221;.</p>
<p>Há muitos mitos em torno das pessoas com síndrome de Down, que são mitos &#8220;depositados&#8221;. Aliás, todos nós de algum modo já percebemos que a realidade que vivemos desmente esses mitos, mas ainda assim, permanece a falsa verdade. A desconstrução de um ou outro mito não nos muda a visão do mundo. Permanece o falso mundo como a realidade visível. A &#8220;sombra&#8221; dentro de nós nos turva a possibilidade de ver claramente o mundo.</p>
<p>Há o mito de que as pessoas com síndrome de Down são deficientes.</p>
<p>O mito de que não aprendem a pensar o abstrato (a educação tem de ser concreta, tratar com símbolos, não com signos).</p>
<p>O mito de que adaptações (reduções, simplificações) curriculares são necessárias.</p>
<p>O mito de que serem aceitas na escola já é bom, que essa &#8220;socialização&#8221; com outras crianças é uma oportunidade que nos dão.</p>
<p>O mito de que aprendem até determinada idade, depois &#8220;estacionam&#8221;, &#8220;regridem&#8221;.</p>
<p>O mito de que o cromossomo a mais os tornam pessoas iguais.</p>
<p>O mito de que a educação especial é necessária.</p>
<p>O mito de que a escola tem de ter uma preparação metodológica prévia para saber lidar com a síndrome.</p>
<p>O mito de que somos pessoas especiais, que temos filhos especiais.</p>
<p>O mito de que temos nos contentar com a Holanda (&#8221;a Holanda é linda&#8221;), quando queríamos estar em Roma.</p>
<p>O mito de que a ciência está trabalhando para conseguir anular o cromossomo extra, que essa é a esperança que resta.</p>
<p>O mito de que não podemos contradizer o que nos dizem que está escrito nos genes (saberão mesmo ler os genes?).</p>
<p>O mito de que o &#8220;assistencialismo&#8221; é um conquista, quando esse mesmo assistencialismo é uma forma de sermos conquistados.</p>
<p>Temos de problematizar cada um desses mitos. Dar-nos a possibilidade de refletir sobre elas: são mesmo verdades que construimos ao longo do nosso viver ou simplesmente as &#8220;sombras&#8221; dos &#8220;depósitos&#8221; que recebemos e armazenamos sem refletir?</p>
<p>O texto acima é uma &#8220;transliteração&#8221; de Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido (p. 157-160).</p>
<p>Gil Pena é médico patologista e pai. Dedica-se a estudos na área da educação, dentro da linha do Projeto Roma</p>
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			<media:title type="html">ubiratan</media:title>
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		<item>
		<title>Adotar não é comprar um par de sapatos</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/08/24/adotar-nao-e-comprar-um-par-de-sapatos/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/08/24/adotar-nao-e-comprar-um-par-de-sapatos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 01:50:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fadiron</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[exclusão]]></category>

		<category><![CDATA[adoção;]]></category>

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		<description><![CDATA[O comentário abaixo, jamais publicado, deveu-se a uma matéria jornalística a respeito da adoção. Entretanto, ainda é pertinente, tal qual tivesse a matéria sido publicada esta manhã.
Assim, se você ainda não se deu a oportunidade de conhecer uma casa de &#8220;crianças abandonadas&#8221;, sim, abandonadas, não as continue abandonando, visite-as! Quem sabe assim, você será amada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div><span style="font-size:small;">O comentário abaixo, jamais publicado, deveu-se a uma matéria jornalística a respeito da adoção. Entretanto, ainda é pertinente, tal qual tivesse a matéria sido publicada esta manhã.</span></div>
<div><span style="font-size:small;">Assim, se você ainda não se deu a oportunidade de conhecer uma casa de &#8220;crianças abandonadas&#8221;, sim, abandonadas, não as continue abandonando, visite-as! Quem sabe assim, você será amada por uma delas.</span></div>
<p><span style="font-size:small;"><strong>Francisco Lima</strong>*</span></p>
<p>Caro Editor:</p>
<p>Não obstante estejamos em 2006, ainda vemos repercutir a idéia de que adoção é para pais que não podem ter filhos biológicos; que filhos a serem adotados são &#8220;mercadorias&#8221; a serem escolhidas pelo seu perfil, ou valor de mercado (crianças novas valem mais que as mais velhas, brancas valem mais que negras, sem deficiência valem mais que com deficiência).</p>
<p>Matérias jornalísticas, sem perceber, corroboram com a manutenção dessas idéias, quando transcrevem esses estereótipos.</p>
<p>Está na hora de que se proporcione a oportunidade de as pessoas conhecerem crianças, para o surgimento do afeto que será a mola propulsora do sentimento da adoção. É assim que ocorre com o filho biológico; tem-se um tempo para se aprender a gostar do bebê, independentemente de como será este filho. Um bebê adotado não tem menos valor ou valia que um bebê advindo da relação sexual de seus pais, mas tem o grau de afeto que assim for permitido ter, advindo do convívio, da quebra de preconceitos, do amor dado ao filho etc.</p>
<p>Então, meu caro editor, já é hora que se revejam posturas do relato jornalístico, pois, em sua liberdade de expressão, o jornal é formador de opinião. Assim sendo, é responsável pela transformação da opinião vigente, mormente, quando esta está sutilmente refletindo as idéias preconcebidas e inadequadas sobre o que é adotar e que movimentos devem estar sustentando uma adoção, isto é, não a incapacidade de se ter filho biológico, mas a capacidade de se ter um filho.</p>
<p>Já foi o tempo em que se matava o filho de sangue de quem ofendia; e se apreciava o filho de um indivíduo valoroso, porque este &#8220;era sangue de seu sangue&#8221;. Afinal, Jesus, era do sangue de José? Isso teria impedido José de o amar?</p>
<p>Que se acabe com essa tolice de que se é preciso saber quem são os pais geradores, para que se decida se essa criança pode ser adotada, sem que se corra o risco de ela vir a ser um &#8220;problema&#8221; em potencial. Certamente, os filhos não adotados, filhos de sangue, incorrem no que os pais não desejam na mesma proporção que os filhos adotados.</p>
<p>Logo, passemos a tratar o adotar, a adoção e o filho adotante como filhos a se ter e não como entidades diferentes a se ter.</p>
<p>Não se deve adotar por dó ou pena, da mesma forma que não se gera um filho por dó ou pena do espermatozóide ou do óvulo. Adota-se porque se é capaz de amar e ser amado.</p>
<p>Viva as crianças, os jovens e os idosos, pois estes assim como ocorrem com as crianças mais velhas, não são adotados, por conta de nossa visão hereditária e etária.</p>
<p>Lembre-se de que o amor não está no sangue, mas simbolicamente no coração, e cientificamente no cérebro.</p>
<p>A escolha, portanto, da adoção está dentro de você e do filho que o vai adotar, e não no fenótipo ou na genética de ambos.</p>
<p>Cordialmente,</p>
<p>* <strong>Francisco J. Lima</strong> - Coordenador do Centro de Estudos Inclusivos/CE/UFPE e pai adotado (por amor) por Matheus</p>
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	</item>
		<item>
		<title>O mundo real (inacabado ainda)</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/07/31/o-mundo-real-inacabado-ainda/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/07/31/o-mundo-real-inacabado-ainda/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 03:28:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gilpena</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[movimento]]></category>

		<category><![CDATA[experiência]]></category>

		<category><![CDATA[intervenção]]></category>

		<category><![CDATA[realidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Gil Pena
Haverá aqueles que lêem os meus escritos e imaginam que sou uma pessoa fora da realidade, que não vejo a deficiência ali tão evidente. Dirão que minhas palavras não correspondem ao mundo que a maioria das pessoas percebe. E se não compartilho de uma visão de mundo tão evidente na concepção da maioria, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><strong>Gil Pena</strong></p>
<p>Haverá aqueles que lêem os meus escritos e imaginam que sou uma pessoa fora da realidade, que não vejo a deficiência ali tão evidente. Dirão que minhas palavras não correspondem ao mundo que a maioria das pessoas percebe. E se não compartilho de uma visão de mundo tão evidente na concepção da maioria, não estaria mesmo fugindo da realidade?</p>
<p>Há muita filosofia discutindo o que é realidade e verdade, mas não precisamos de filosofia, quando a realidade é verdadeira e a verdade, real.</p>
<p>A dificuldade em lidar com esses aspectos reais e verdadeiros do mundo é ainda mais aguda quando não me é possível convencer os outros, por meio da argumentação, de que a visão que ofereço é inteiramente construída na realidade e tem valor de verdade. Na maioria das vezes, acredito, não consigo sequer balançar essa convicção mais prevalente, tão avassaladoramente real e verdadeira do mundo. Como contradizer a experiência vivida pelas pessoas? A evidência tão real e concreta de que a deficiência existe e se manifesta? Como ouso eu dizer o contrário da experiência das pessoas?</p>
<p>Não é possível negar a experiência, a percepção da dificuldade, a vivência dos múltiplos obstáculos que se enfrentam todos os dias. E não é essa a realidade, a verdade crua dos fatos? Então, estou mesmo equivocado, me forçarão a admitir, incapaz que sou de dar valor a experiência dos experientes e ao conhecimento dos especialistas.</p>
<p>Soam irreais os argumentos que ofereço, porque contradizem os fatos que me apresentam. É preciso admitir a força dos fatos. A verdade não pode contradizer a experiência. A visão prevalente se sustenta nos fatos, na realidade presente e na experiência passada. Aquele que não se atém aos fatos, à experiência, é um sonhador, está fora da realidade.</p>
<p>Falemos da realidade: antes de iniciar esse texto, havia uma tela em branco, um arquivo vazio. Era essa a realidade, o fato. Agora estou no meio do texto, a realidade modificou-se. Mas o texto está ainda sendo construído, está em processo, não está acabado, não está escrito. Há um pedaço dele que o futuro reserva, um pedaço ainda fora da realidade palpável, mas que está no porvir. Se eu parar aqui, o texto ficará incompleto, eu devo continuar, para que fique acabado. Coloco-me um pouco a frente da realidade, um pouco no futuro, na perspectiva de ver o texto concluído. Depois que estiver pronto, parecerá que nasceu concluído, será dado como um fato estático, mas enquanto construo, é dinâmico.</p>
<p>A percepção de um mundo dinâmico, de uma perspectiva de futuro próximo, é o que dá a impressão de me soltar dos fatos, de me descolar da realidade, e me oferece a possibilidade de produzir novas experiências. Simples como o texto que escrevo. A sensação boa de vencer a realidade anterior, um arquivo vazio, um espaço ocioso do disco rígido. Movemo-nos no mundo, porque temos essa perspectiva de futuro, essa noção de constante transformação, mas freqüentemente nos prendemos a uma realidade que nos parece imutável, porque está comprovada na experiência ou nos é dita pelos especialistas. O imutável pertence ao passado, pelo fato simples e corriqueiro de que não intervimos no passado. É no porvir que construímos a nossa intervenção do mundo.</p>
<p>O texto acaba aqui. O mundo, esse permanece inacabado.</p>
<p><strong>Gil Pena </strong>é médico patologista e pai. Dedica-se a estudos na área da educação, dentro da linha do Projeto Roma.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/disdeficiencia.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/disdeficiencia.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/disdeficiencia.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/disdeficiencia.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/disdeficiencia.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/disdeficiencia.wordpress.com/139/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.disdeficiencia.net&blog=1161099&post=139&subd=disdeficiencia&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O ovo e a galinha da educação</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/07/24/o-ovo-e-a-galinha-da-educacao/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/07/24/o-ovo-e-a-galinha-da-educacao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 20:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fadiron</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[educação]]></category>

		<category><![CDATA[paradoxo]]></category>

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		<description><![CDATA[Fábio Adiron 
Há séculos as pessoas se encantam, se perturbam e se debruçam sobre paradoxos de todas as espécies. Eles são um material bastante rico para a reflexão de lógicos e filósofos desafiando a racionalidade dos mesmos. Muitos primam pelo absurdo, outros, no entanto não só servem para um exercício de curiosidade como também são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><strong>Fábio Adiron</strong><strong> </strong></p>
<p>Há séculos as pessoas se encantam, se perturbam e se debruçam sobre paradoxos de todas as espécies. Eles são um material bastante rico para a reflexão de lógicos e filósofos desafiando a racionalidade dos mesmos. Muitos primam pelo absurdo, outros, no entanto não só servem para um exercício de curiosidade como também são ferramentas da ciência na sua busca de respostas para os problemas do mundo.</p>
<p>O filósofo Guido Imaguire classifica os paradoxos em três tipos : os semânticos, os lógicos e aqueles que ele denomina de <a title="texto pdf do saite filosofos.com.br" href="http://www.filosofos.com.br/pdf/ovoegalinha.pdf" target="_self">paradoxos empíricos</a> e, ele mesmo se debruça longamente a respeito de um dos mais populares desses paradoxos : o que veio antes , o ovo ou a galinha ? O que pode parecer uma brincadeira infantil, ou um debate religioso entre evolucionistas e criacionistas é, na verdade, uma questão que afeta várias áreas do conhecimento, inclusive a educação.</p>
<p>A discussão sobre a primazia do ovo ou da galinha acaba de ser reacesa com lançamento do livro “Educação Profissional” de Jarbas Novelino Barato pela Editora Senac. A tese em pauta é quem educa quem : é o cérebro que ensina as mãos, ou são elas que, através da repetição condicionam os neurônios a exercer determinadas habilidades ?</p>
<p>Em que pese o fato desse paradoxo ser apenas mais um entre tantos outros (seja o pensar que determina a realidade, ou a realidade que constrói o pensar marxista, ou a questão de linguagem e raciocínio vigostkyana), a crítica do livro à hegemonia da formação acadêmica sobre o exercício profissional prático pode induzir o leitor à desvalorização da formação conceitual em benefício da prática pura e simples e, com isso, minorar a já pouca importância dada aos nossos professores.</p>
<p>Mesmo que o livro queira apenas conter os ditos “excessos” acadêmicos, que realmente existem ele, ao mesmo tempo dá alimento teórico aos inimigos da formação teórica, o que não deixa de ter um certo cunho político afinal, até mesmo na nossa política temos hoje a contraposição de um presidente “prático” que sucede o “acadêmico”, chegando ao ponto da maior autoridade econômica do país ser hoje um médico.</p>
<p>Acreditando que só conceitos bem estruturados podem conduzir a resultados sólidos em qualquer área do conhecimento, precisamos aprender a valorizar a nossa formação acadêmica e, principalmente, os mestres que nos conduzem através dela. A prática pode aperfeiçoar uma habilidade, a repetição pode torná-la de mais fácil execução, mas jamais vamos ter o domínio completo de uma tarefa se não entendermos como é que ela se constrói ou quais são as suas origens e os seus objetivos. Caso contrário não seremos melhor que qualquer aparato mecânico de repetição.</p>
<p>O risco maior é, no entanto, ideológico, uma vez que pessoas educadas apenas no exercício prático de tarefas podem, de forma mais fácil, serem controladas pelos detentores do conhecimento e, nesse caso, não terão a possibilidade nem de questionar se o ovo antecede a galinha.</p>
<p><strong>Fábio Adiron</strong> é marketeiro e pai. Membro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e moderador do grupo Síndrome de Down.</p>
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		<title>Diferença entre integração e inclusão - o reconhecimento de ser humano</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/07/17/diferenca-entre-integracao-e-inclusao-o-reconhecimento-de-ser-humanos/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jul 2008 00:42:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[exclusão]]></category>

		<category><![CDATA[identidade]]></category>

		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

		<category><![CDATA[reconhecimento]]></category>

		<category><![CDATA[ser humano]]></category>

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		<description><![CDATA[de Suely Satow
Me consideraram uma exemplo de paralisada cerebral incluída, mas não é bem assim, eu sou INTEGRADA. Sofro muitos preconceitos.
Explico a diferença: se existisse a inclusão e não a inclusão pela exclusão, eu não estaria aqui servindo de exemplo. Não haveria nenhuma necessidade disso, pois todos estariam no mesmo patamar, que é o de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>de <strong>Suely Satow</strong></p>
<p>Me consideraram uma exemplo de paralisada cerebral incluída, mas não é bem assim, eu sou INTEGRADA. Sofro muitos preconceitos.</p>
<p>Explico a diferença: se existisse a inclusão e não a inclusão pela exclusão, eu não estaria aqui servindo de exemplo. Não haveria nenhuma necessidade disso, pois todos estariam no mesmo patamar, que é o de ser humano e não um indivíduo rotulado de incapaz. Hoje, as pessoas rotulam o deficiente pela incapacidade, quando deveria ser do contrário, ou seja, eles devem ser vistos pelo lado de sua CAPACIDADE e, para isto, deve-se observar, pesquisar e estimular todas as capacidades encontradas nele e, principalmente, vê-lo como SER HUMANO, igual em sua humanidade, mas diferente, porque se apresenta diferentemente dos “comuns”.</p>
<p>2) tive de me moldar conforme as regras das pessoas comuns, ou seja, tive de fazer tudo o que uma pessoa comum fazia. Confesso que eu ia mais longe: fazia relatórios e resumos para outros alunos e sei agora, que era para ser integrada na turminha. Na inclusão, a pessoa com deficiência e outros alunos considerados problemáticos não terão de sofrer o “pão que o diabo amassou e triturou”, eles irão ter as coisas adaptadas a eles, eles serão respeitados em suas diferenças e passarão a ser como os outros e não um E.T. Eu concordo que isto ainda é uma utopia, mas se todos nós fizermos algo para a inclusão se instalar definitivamente, ela irá vingar.</p>
<p>3) o olhar do outro fazia com q eu sofresse muito. E não acontece só comigo. Acontece com outros alunos com deficiência, que acabam deixando as escolas por não agüentarem este olhar que vem carregado de descrença e conseqüente sofrimento para quem é dirigido.</p>
<p>Para que essa inclusão aconteça realmente e não fique só no papel e “brincadeiras acadêmicas” para aumentar ainda mais os artifícios da hipocrisia social, é preciso que toda a sociedade e as pessoas que dela fazem parte se repensem, reflitam e tenham um processo de trabalho sério com os próprios sentimentos. Sei que isto é muito doloroso, porque ninguém gosta de ver as próprias falhas, os próprios preconceitos, ainda mais com o surgimento do “politicamente correto”, onde é feio ter e mostrar qualquer tipo de preconceito, mas ela aparece nos olhares, no gestual etc., mesmo que a pessoa tente disfarçar ou de modo inconsciente. Isto é muito duro das vítimas agüentarem.</p>
<p>Acredito que a inclusão aconteça, quando houver uma desconstrução do velho padrão dos valores vigentes, para a reconstrução de outros, desta vez sem os pré-julgamentos das pessoas frente aos seus semelhantes, que todos somos. Acredito também, que a INCLUSÃO aconteça, quando TODOS (negros, pobres, doentes, mulheres etc. e não somente deficientes) tiverem seu reconhecimento como SERES HUMANOS.</p>
<p>Hoje temos a inclusão pela exclusão, muito bem explicada pela profa. dra. em psicologia social da PUC-SP Bader B. Sawaia, autora do prefácio do meu livro “Paralisado cerebral: construção da identidade na exclusão” e orientadora de minha tese, escreve</p>
<blockquote><p>“Exclusão não é um estado que uns possuem, outros não. Não há exclusão em contraposição à inclusão. Ambos fazem parte de um mesmo processo. – “o de inclusão pela exclusão” – face moderna do processo de exploração e dominação. O excluído não está à margem da sociedade, ele participa dela, e mais, a repõe e a sustenta, mas sofre muito, pois é incluído até pela humilhação e pela negação de humanidade, mesmo que partilhe de direitos sociais no plano legal. A inclusão pela humilhação se objetiva das mais variadas formas, desde a inclusão pelo “exótico” até a inclusão pela “piedade” (personagem coitadinho) e não tem uma única causa. O estigma de ser portador de deficiência se interpenetra com outras determinações sociais como classe, gênero etnia e a capacidade de auto diferenciação dos indivíduos, configurando variadas estratégias de objetivação da reificação das diferenças. Para fugir à humilhação dessas diferentes formas de inclusão que lhes são oferecidas e ser “gente” para si e aos outros, o portador de IMC elabora estratégias de participação social fundadas no projeto de “apresentar-se socialmente ativo”, tornando-se, excessivamente exigente consigo mesmo, na busca da admiração e do amor de todos que o rodeiam. Enfim, para negar o papel de “sub”, opta pelo seu contrário, o de “super”, enredando-se por caminhos diversos na mesma trama da qual queria se libertar.</p></blockquote>
<blockquote><p><em>&#8220;Eu sou muito perfeccionista (&#8230;) Sempre tive medo de não conseguir realizar as coisas. Você tem que provar que você vai dar certo (&#8230;). Ou você mostra que é e o que pode fazer ou não consegue (&#8230;)”, diz um sujeito da pesquisa.&#8221;</em></p></blockquote>
<blockquote><p>Nesta fala, Maria sintetiza o sofrimento do portador de IMC, que na contraposição entre o personagem sub e super não logra o direito de “ser gente”. Incluir-se pelo personagem “super” é tornar-se exótico entre os “normais” e distinto de seus pares, apresentando-se como caricatura de si mesmo. A identidade humana se constrói na e apenas na diversidade, conforme enfatiza Maria,.</p></blockquote>
<blockquote><p><em>“Assim como você  nasce com olho azul, ele nasce assim. Que bonito, né&#8230; A aceitação do ser humano como ele é&#8230; Se ele anda mancando, paciência. Se ele cair, paciência. É uma característica dele, como ser gordo, magro, loiro, moreno. Acho que tem que ser por ai.”</em></p></blockquote>
<blockquote><p>Realmente, tem que ser por ai a ação que Espinosa define como a “luta contra tudo que gera impotência e dor, tudo que despedaça a alma”.</p></blockquote>
<p><strong>Suely Satow</strong> é diretora executiva do Centro de Informação e Documentação do Portador de Deficiência (CEDIPOD) e doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1994).</p>
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		<title>Filho puxa o pai no triátlon! - o time Hoyt e o discurso da deficiência</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/29/filho-puxa-o-pai-no-triatlon/</link>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 02:39:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[movimento]]></category>

		<category><![CDATA[sensibilização; relação]]></category>

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		<description><![CDATA[de Ubiratan Garcia Vieira
O mérito do time Hoyt de triátlon não é o de aparecer num programa televisivo normal, isto é, medíocre, de domingo a noite, mas o de militar para ocupar um lugar no atletismo de resistência e para se apropriar de um espaço na mídia esportiva. Uma militância de anos.
O time Hoyt de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:left;">de <strong>Ubiratan Garcia Vieira</strong></p>
<p>O mérito do time Hoyt de triátlon não é o de aparecer num programa televisivo normal, isto é, medíocre, de domingo a noite, mas o de militar para ocupar um lugar no atletismo de resistência e para se apropriar de um espaço na mídia esportiva. Uma militância de anos.</p>
<p><a title="video do time Hoyt de triátlon no youtube legendado em português" href="http://www.youtube.com/watch?v=P3G5yresPLg&amp;feature=related">O time Hoyt de triátlon</a> vem nós mostrar que o ser humano não é indivisível, mas vive em relação. Afinal que deficiência tem quem leva o pai a se tornar um triatleta? <a title="O discurso da deficiência e a deficiência no discurso - postagem no blog disdeficiência" href="http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/27/o-discurso-da-deficiencia-e-a-deficiencia-do-discurso/">O problema lingüístico de que nos fala Gil Pena </a>está exemplificado no verbo *empurrar*, muito repetido na cobertura da mídia sobre o time Hoyt: &#8220;o pai empurra o filho&#8221;.</p>
<p>Se fosse para assumir uma perspectiva liberal, isto é, individualista, poderíamos dizer que, ao contrário, não é o pai que empurra o filho, mas o filho que puxa o pai. Isso! Cadê os (micro)economistas? Gente, o pai tá roubando no triátlon! Ele está sendo puxado pelo filho que, apesar de aparentemente pouco se mexer, leva seu pai a &#8220;superar&#8221; seus limites!</p>
<p>Mas, pensando no time Hoyt, quem tem que superar os limites é o programa de televisão. O pai empurra o filho? Trata-se de pai e filho correndo, nadando e pedalando e dessa forma contribuindo para que possamos ter um minuto de reflexão para pensarmos o que constitui as relações humanas. Em que momento da nossa trajetória humana passamos a perceber as relações de time como relações em que um indivíduo puxa ou empurra o outro? Poderemos com o time Hoyt aceitar o fato de que somos divisíveis, dependentes e, sobre tudo, passíveis de sermos levados por uma vontade que não nos pertence e que mesmo assim é nossa?</p>
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		<item>
		<title>O discurso da deficiência e a deficiência do discurso</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/27/o-discurso-da-deficiencia-e-a-deficiencia-do-discurso/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 04:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>gilpena</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[..Postagens]]></category>

		<category><![CDATA[déficit]]></category>

		<category><![CDATA[deficiência]]></category>

		<category><![CDATA[discurso]]></category>

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		<description><![CDATA[Gil Pena
O discurso que se produz a partir de uma situação de deficiência tem vários caminhos possíveis. A situação de deficiência, quando presente em um indivíduo, suscita de imediato várias reações, do próprio indivíduo e daqueles que o cercam, impondo modificações também no ambiente. Essas reações, de algum modo, geram compensações que, de um lado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:right;"><strong>Gil Pena</strong></p>
<p>O discurso que se produz a partir de uma situação de deficiência tem vários caminhos possíveis. A situação de deficiência, quando presente em um indivíduo, suscita de imediato várias reações, do próprio indivíduo e daqueles que o cercam, impondo modificações também no ambiente. Essas reações, de algum modo, geram compensações que, de um lado, caminham na direção da superação dos obstáculos e, de outro, apenas resignação frente à situação e justificação para desistir.</p>
<p>O discurso faz parte desse conjunto de reações do próprio indivíduo e daqueles que o cercam. Diante da situação de deficiência, pode ajudar a criar soluções para essas situações ou, na direção oposta, pode reforçar o problema.</p>
<p>O discurso se constrói a partir da realidade vivida e origina representações do mundo, na medida em que descrevemos e interpretamos essa realidade.</p>
<p>Quando a realidade vivida é uma situação de deficiência, podemos descrever aquilo que está faltando e interpretar a perda que essa falta representa para o indivíduo. Esse é o discurso negativo, porque se baseia nas habilidades ou características que estão ausentes ou em menor grau. O discurso negativo nega a possibilidade de compensação.</p>
<p>Se, por outro lado, percebemos a situação de deficiência e ressaltamos os elementos presentes que poderiam atenuar ou eliminar essa deficiência, fazemos um discurso positivo, na medida em que buscamos alternativas que podem compensar o déficit.</p>
<p>Entender a deficiência e suas possibilidades de compensação nos exige uma descrição e uma interpretação da situação de deficiência, levando em conta o indivíduo como um todo e o contexto que o cerca.</p>
<p>As observações que fazemos e as interpretações que damos à deficiência devem buscar a origem da deficiência, a causa remota, o princípio de tudo. A dinâmica do indivíduo em sua relação com os outros e com o meio gera processos contínuos de compensação do déficit. Esses processos, algumas vezes, caminham no sentido da superação, algumas vezes no sentido da acomodação, no sentido de criar uma situação social que comporte o déficit. Há, então, uma deficiência adicional que se sobrepõe ao déficit inicialmente presente. Essa deficiência adicionada, muitas vezes construída no discurso, nas observações e nas interpretações que fazemos do déficit, é muitas vezes a deficiência mais limitante, bem mais do que a deficiência presente a princípio.</p>
<p><strong>Gil Pena</strong> é médico patologista e pai. Dedica-se a estudos na área da educação, dentro da linha do Projeto Roma.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/disdeficiencia.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/disdeficiencia.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/disdeficiencia.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/disdeficiencia.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/disdeficiencia.wordpress.com/128/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/disdeficiencia.wordpress.com/128/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.disdeficiencia.net&blog=1161099&post=128&subd=disdeficiencia&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A sexualidade e a discriminação por deficiência, um comentário matéria &#8220;Justiça libera certidão para Valentina&#8221;</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/23/a-sexualidade-e-a-discriminacao-por-deficiencia-um-comentario-materia-justica-libera-certidao-para-valentina/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/23/a-sexualidade-e-a-discriminacao-por-deficiencia-um-comentario-materia-justica-libera-certidao-para-valentina/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 03:41:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fadiron</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[..Postagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Francisco Lima
 Tenho batido e rebatido sobre a questão de barreiras atitudinais contra a pessoa com deficiência, mormente no caso da sexualidade e da maternidade dessas pessoas, principalmente aquelas, cuja comunicação fica prejudicada pela falta de conhecimento da sociedade.Na matéria , relato de situação vivida por mãe com deficiência e pai com dificuldade de fala, meros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><div style="text-align:right;"><span style="font-size:small;font-family:Arial;"><strong>Francisco Lima</strong></span></div>
<div> <span style="font-size:small;">Tenho batido e rebatido sobre a questão de barreiras atitudinais contra a pessoa com deficiência, mormente no caso da sexualidade e da maternidade dessas pessoas, principalmente aquelas, cuja comunicação fica prejudicada pela falta de conhecimento da sociedade.Na <a href="http://www.cosmo.com.br/brasilemundo/integra.asp?id=228264" target="_blank">matéria</a> , relato de situação vivida por mãe com deficiência e pai com dificuldade de fala, meros oficiais de cartório, achando que podem decidir pelo outro com deficiência, ao arrepio da lei, discriminaram com base em deficiência, dificultando, de fato negando, o registro de nascimento do bebê, filho do casal mencionado.Depois, a fala da juíza, dizendo que eles só fizeram isso por &#8220;cautela&#8221;, visto que muitas vezes as mamães com deficiência intelectual engravidam em decorrência de estupro.No caso de um oficial de cartório desconfiar de que haja dúvida da paternidade de um bebê, ele nega a certidão de nascimento de alguém sem deficiência? Você já viu isso, para ser alegado que é &#8220;apenas uma ação de cautela muito comum no meio.&#8221;? ?Discriminação, isso que é, conforme claramente define a lei 3956/01, mas que a magistrada, baseada em sua visão turva pelas barreiras atitudinais, mormente a de deslocamento, não soube perceber ou se soube, não fez valer o &#8220;poder&#8221; que tinha e o dever que lhe era de ofício, isto é, punir tal discriminação.</p>
<p>Por fim e não menos grave, a terrível comprovação: Mulheres com deficiência intelectual são, principalmente, vítimas de estupro.</p>
<p>E a gente ainda se omite de discutir a sexualidade no contexto escolar, no contexto universitário, sob a égide de uma moral e religião retrógradas!</p>
<p>A sexualidade de uma pessoa com deficiência não é, em essência, diferente da que não tem deficiência, porém as vicissitudes das relações que envolvem a sexualidade e, o próprio sexo, entre essas pessoas e entre elas e as pessoas sem deficiência são diferentes, requerendo, portanto, um olhar livre de barreiras atitudinais, como os de propagação, deslocamento e outros que inibem, dificultam ou mesmo impedem o direito do livre exercício da sexualidade, do amar, do ser amado e do fazer amor por essas pessoas.</p>
<p>Pessoas com deficiência têm direito ao sexo seguro, à maternidade ou paternidade e a tudo mais que envolve a sexualidade, desde sempre na vida de uma pessoa.</p>
<p>Logo, , temos de cuidar para que essas pessoas recebam as informações necessárias para que aprendam e apreendam as normas sociais sobre a sexualidade e suas relações ainda que, reconheçamos que tais normas sociais são, por vezes hipócritas.</p>
<p>O que não mais podemos aceitar é que pessoas com deficiência fiquem sujeitas à discriminações escondidas sob o manto da &#8220;defesa&#8221; dos interesses, da saúde e da segurança da pessoa com deficiência.</p>
<p>Basta de protecionismo barato, (&#8221;para o bem da pessoa com deficiência&#8221;), afirmação que não passa de eufemismo para justificar discriminação por razão de deficiência.</p>
<p>Por fim, para aqueles tentados a pensar que uma pessoa com deficiência não pode mesmo ter filho, para que depois a avó venha criar por ela, lembrem que está cheio de casos em que a avó ou outro parente assume, de fato, a criação do neto e isso sem ter relação com esta ou aquela deficiência dos pais do bebê.</p>
<p>No caso em tela, mais que justificada, a avó fica com o neto, para que os pais estudem.</p>
<p>Você não faria isso por seu filho e neto? Eu sim!</p>
<p><span style="font-family:Trebuchet MS;"><strong>Francisco Lima</strong> é professor de UFPE e coordenador do CEI - Centro de Estudos de Inclusão</span></p>
<p></span></div>
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		<title>Até onde vai o seu preconceito ?</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/16/ate-onde-vai-o-seu-preconceito/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 14:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fadiron</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[exclusão]]></category>

		<category><![CDATA[preconceito]]></category>

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		<description><![CDATA[ 


Fábio Adiron
&#8220;Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais&#8230;&#8221; (Martin Luther King)
Nós costumamos usar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> </p>
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<p><span style="font-size:small;"></p>
<p style="text-align:right;"><strong>Fábio Adiron</strong></p>
<p style="text-align:right;"><em>&#8220;Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais&#8230;&#8221; (Martin Luther King)</em></p>
<p>Nós costumamos usar de uma forma bastante generalista a palavra preconceito. Falamos em preconceitos raciais, religiosos, culturais. Mas será que sempre usamos esse termo de forma correta ? Será que em outras vezes não estamos sendo nós mesmos preconceituosos ao taxar o outro como sendo ele o preconceituoso ?</p>
<p>A psicologia social parte do princípio que todos nós temos algum tipo de atitude – um sistema de experiências e comportamentos – e , para cada uma delas formamos um conceito racional associado a sentimentos e emoções que nos levam a uma determinada tendência de comportamento em relação a uma pessoa, objeto ou evento. Ou seja, todos nós temos alguma predisposição a olhar algo de uma forma pré-estabelecida, dentro de uma atitude que é composta de cognição, sentimentos e comportamentos.</p>
<p>Desta forma, entende-se o preconceito como uma atitude negativa que um indivíduo está predisposto a sentir, pensar, e conduzir-se em relação a determinado grupo de uma forma negativa previsível. O preconceito é um fato difuso e sem muitas explicações que tenta legitimar ou justificar os atos de cada pessoa.</p>
<p>Assim como as atitudes em geral, o preconceito tem três componentes: crenças; sentimentos e tendências comportamentais. Crenças preconceituosas são sempre estereótipos negativos.</p>
<p>Segundo alguns estudiosos o preconceito é o resultado das frustrações das pessoas (e de pessoas autoritárias e intolerantes) que em determinadas circunstâncias podem se transformar em hostilidade. Ao olhar para o mundo através de uma lente de categorias rígidas, elas não acreditam na natureza humana, temendo e rejeitando todos os grupos sociais aos quais não pertencem, assim, como suspeitam deles. O preconceito é uma manifestação de sua desconfiança e suspeita.</p>
<p>Não existe um caminho único para resolver essa questão, mas existem três maneiras mais efetivas para erradicar o preconceito.</p>
<p>1. Disseminação de informações científicas sobre o objeto do preconceito, assim as bases de julgamento errôneo pode ser removidas.</p>
<p>2. Demonstrar de forma frequente fatos sobre as pessoas que julgamos diferentes. Assim pode-se associá-los a situações favoráveis. A convivência, através de uma atitude comunitária é , talvez a forma mais adequada de se reduzir o preconceito.</p>
<p>3. Remoção de condições sociais e econômicas que criam dificuldades e frustrações. Investigações de grande profundidade demonstraram que pessoas continuamente frustradas são mais aptas de desenvolver preconceito, porque elas tem uma maior necessidade de um bode expiatório contra aqueles de sentimentos reprimidos de hostilidade que possam ser expressados.Cada indivíduo que desejar tomar parte na tarefa de remover o preconceito da sociedade pode fazê-lo, tornando-se bem informado sobre as descobertas da ciência a cerca do assunto, participando continuamente em atividades que estimulem a convivência na diversidade, ajudando a melhorar aquelas condições sociais gerais que trazem frustrações e dificuldades a muitos grupos de pessoas, e encorajando outros a juntar-se a ele nestes empreendimentos.</p>
<p>Mas há, ainda, outro fator importante para o sucesso de qualquer projeto destinado a remover o preconceito - uma fonte de motivações para causar a ação corretora, apesar da resistência que a mudança provoca.</p>
<p>As convicções intelectuais devem ter uma confirmação emocional, antes que resultem em ações efetivas. A humanidade deve possuir um desejo de superar o resíduo de superstições e das noções infundadas sobre pessoas e coisas, às quais muitos estão propensos a aceitar como uma simples verdade, porque elas tem sido muitas vezes repetidas pelos parentes, companheiros, e amigos íntimos.</p>
<p>Experimente entrar no mundo das pessoas a respeito de quem você tem alguma forma de preconceito, certamente a experiência da empatia vai ser a maior motivação que você pode encontrar.</p>
<p><strong>Fábio Adiron</strong> é marketeiro e pai. Membro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e moderador do grupo Síndrome de Down.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p></span></p>
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		<title>Medo de ser professor</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/12/medo-de-ser-professor/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2008 19:54:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>patkca</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[..Postagens]]></category>

		<category><![CDATA[exclusão]]></category>

		<category><![CDATA[educação especial]]></category>

		<category><![CDATA[inclusão]]></category>

		<category><![CDATA[professor]]></category>

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		<description><![CDATA[de Patricia Kast Caminha
Seu nome é Lúcia. Encontrei-a no ônibus, a caminho do trabalho. Não dormiu bem a noite. Ficou sabendo no dia anterior que receberá, no proximo ano, um estudante com deficiência, entre os da nova turma. O que fará se não foi formada para isso? Com essa novidade de Inclusão, como fará para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>de <strong>Patricia Kast Caminha</strong></p>
<p>Seu nome é Lúcia. Encontrei-a no ônibus, a caminho do trabalho. Não dormiu bem a noite. Ficou sabendo no dia anterior que receberá, no proximo ano, um estudante com deficiência, entre os da nova turma. O que fará se não foi formada para isso? Com essa novidade de Inclusão, como fará para empreender novos conhecimentos numa área em que nunca teve intenção de trabalhar?</p>
<p>Oras, na sua época de magistério, um dos caminhos era a Educação Especial mas fugiu como o diabo foge da cruz. Nunca teve contato com alguém com qualquer deficiência. Lógico, já viu, passou perto até, mas não, nunca teve contato. Nem em cinemas, nas ruas, nas lojas, nas praças&#8230; Muito menos nas escolas em que estudou. Culturalmente, pessoas assim sempre tiveram um ambiente próprio, que não era, definitivamente não era, o seu. E agora mais essa&#8230;</p>
<p>Mãe de dois filhos, dupla jornada para complementar o baixo salário&#8230; Mais essa&#8230;</p>
<p>Seu mundo, me pareceu, era pequeno. Uma reclusão a que tantos se impõem ou por medo, ou por preguiça.</p>
<p>Lúcia quiz contar mais, que se considerava boa professora, mas que agora tinha dúvidas. Chegou ao final de mais um ano letivo concluindo que a maioria dos estudantes, que deveriam ser retidos, mas com esse negócio de promoçao automática, pelo amor de Deus, foram promovidos. Não estavam recebendo uma boa educação em casa. Estava pensado muito seriamente sobre isso. E a moral e os bons costumes? Ela não ia se prestar a fazer o que considera obrigação da família. Não se acha a culpada por lares desfeitos (quando são feitos, salientou). Hoje em dia não pode nem comemorar Dia das Mães ou dos Pais na escola. E por quê? Porque as famílias não são mais família, disse indignada. Atualmente vieram com outra novidade: Dia da Família. Não sabe se adianta muita coisa.</p>
<p>Perguntei como era seu trabalho, o que ensinava. Começou a contar com alegria sobre as cartilhas, o alfabeto, as crianças com brilho nos olhos que chegavam a ela querendo aprender a ler. Não sabiam nada, muitas considerava virem do zero, nem pré escola haviam feito, um horror na sua concepção de educadora. Tinha que ensinar tudo, desde escovar os dentes a ficar quieto na carteira escolar. Um custo. Levantar a mão para falar, rezar no início das aulas, falar em coro &#8220;seja bem vindo&#8221; ou &#8220;volte sempre&#8221; para cada pessoa que vier a porta da sala de aula. Depois, com o passar do tempo, ficava uma beleza&#8230; Disciplina, todos iguaizinhos. Mas sempre tem aqueles&#8230; Os do fundo da sala. Esses, já sabe no que vai dar no final do ano. Já está escrito, pra ela não tem jeito.</p>
<p>E então, inicia as letras&#8230; Todo dia, todos em coro: &#8220;A, B, C&#8230;&#8221; Aponto as letras com a régua. Depois, faz chamadinha oral. Usa uma cartilha antiga, mas muito eficaz. Escondida, porque se o diretor pega&#8230; Ele até sabe, mas tem um combinado de &#8220;se não vê, não sabe&#8221;. Dá algumas coisas do Construtivismo, sabe como é, diz, tem que dar de tudo um pouco. Se não, é chamada de tradicionalista. Um horror. Aí a coordenadora tem que fazer alguma coisa. É aquela coisa do &#8220;viu, já viu&#8221;.</p>
<p>Até o final do ano, para ela é de praxe, todos os estudantes têm que iniciar letra de mão. Oficialmente não é pra fazer isso, sabe, mas os professores da escola em que trabalha têm este acordo. Sempre foi assim, na sua época dava certo, porque agora inventaram diferente?</p>
<p>É a mesma coisa com avaliação. E reclama de uma professora nova na escola que nas reuniões vem com &#8220;coisa nova&#8221;, querendo se mostrar, fica falando umas novidades que ninguém gosta, que avaliação tem que ser individual&#8230; Como assim?</p>
<p>Avaliar só com prova mesmo. E prova igual pra todos. Quem vai bem, vai, quem não vai é porque não aprendeu, tem algum problema. Tem que fazer recuperação. Mas é uma chateação porque tem que aumentar sua nota por causa da tal promoção automática.</p>
<p>E agora, vai ter um estudante com deficiência na turma. E a professora de Educação Especial da escola não pode mais ensiná-lo na sala de recursos&#8230; Então ela vai fazer o que na escola? E o estudante? Diz que a professora agora tem que ficar com o estudante com deficiência na sala e ensinar&#8230; O quê, se ele não aprende? E a professora de Educação Especial pode trabalhar em parceria e ensinar coisas complementares no horário oposto ao da sala de aula ao estudante.</p>
<p>Lúcia não ia mais parar de falar como pude sentir, mas tive que interrompê-la pois desceria no meu ponto de ônibus.</p>
<p>Fui caminhando para meu trabalho pensando em quantos professores pensam e agem da mesma maneira. Numa classe de aula assim, nada pode sair diferente do que planeja, sem contar que o planejamento deve ser daqueles, hiper rígidos. Imagino a vida escolar das crianças, como não deve ser, numa situação assim.</p>
<p>Uma pessoa rígida, fechada para coisas novas na vida, desde mudar sua forma de avaliação até pensar diferente sobre o que é ensinar. Imagino que deve sofrer muito porque sua rigidez a torna insensível a mudança externas e internas. O mundo muda todo dia, as relações humanas, a História, a Geografia, sua relação com o mundo&#8230; Dizer não para tudo, se negar a tentar, a aprender e apreender o novo talvez a faça melancólica, severa, acreditando apenas no que já passou, no antigo, no velho mesmo, arcaico. Como se fosse um chão. Sem ele, seu mundo acaba.</p>
<p>Você pensa como a Lúcia?</p>
<p>O que fará quando na turma de estudantes tiver um ou mais com deficiência?</p>
<p>Que tal fazer diferente? Que tal pensar na sua prática pedagógica? É muito complicado, não sabe por onde?</p>
<p>Pesquise sobre trabalhos realizados por professores em sala de aula com pessoas com deficiência, as mais diversas. Pense, por exemplo: se você tiver estudante(s) com surdez na sala, o que será necessário? E faça o seguinte exercício: como fazer com que as aulas fiquem prazeirosas para todos, partindo das necessidades de um estudante com surdez. Se você vai trabalhar o corpo humano, alfabetizar, qualquer conteúdo de qualquer série, ao invés de sair pensando em fazer tudo separado para um, que tal oportunizar para todos a LIBRAS, gravuras sobre os conteúdos&#8230; Que tal transformar suas aulas em aulas acessíveis para um e uma oportunidade para todos se prepararem para um mundo que já está aí?</p>
<p>Repense também a avaliação, a letra cursiva, a sua relação com os professores que estão inovando&#8230;</p>
<p>&#8220;Bata um Papo&#8221; com o Construtivismo. Tudo bem se não quer deixar algumas coisas de lado. Mas o ponto é este: nem se feche para o novo, nem jogue o que sabe no lixo. Ninguém está pedindo isso.</p>
<p>Considere que todos os estudantes têm pré conhecimentos muito importantes para incorporar na sala de aula, realize pesquisas, dê voz aos estudantes deixando que a sala tenha um barulho peculiar, e também permita o livre trânsito pela sala. Não pense que com isso os momentos de silêncio e atenção deverão ser esquecidos. De maneira alguma.</p>
<p>Não caia nos corporativismos. É uma algema que aperta cada vez que alguém quer se soltar. Amarra, obriga a agir uniformemente, impede de pensar por si. Não se junte aos professores que culpam os estudantes pelo (mal interpretado) fracasso escolar. Não trabalhe com essa coisa de culpa. Saiba que sempre estará aprendendo. Liberte-se da rigidez.</p>
<p>Ao pessoal que já tem experiência, já arregaçou as mangas e tem realizado trabalhos fantásticos em sala de aula (e fora dela!), tomando os estudantes como parceiros na empreitada pelo conhecimento, com enfoque no respeito a diversidade, uma proposta: divulgue-os.</p>
<p>Muito profissional já começou, organizando seu fazer pedagógico respeitando a diversidade, tornando suas aulas acessíveis a todos. Mesmo sem estudante com deficiência na turma, procura planejar aulas com mais recursos audio-visuais, com elementos táteis. Grava as aulas, as revê ou escuta com os estudantes, promove a elaboração de material sensorial com todos. Tem professor que trabalha com LIBRAS, usa reglete e punção na sala de aula.</p>
<p>Se você tem algo a dizer, é a hora!!!!!!</p>
<p>Este texto não acaba aqui&#8230;</p>
<p>&#8211;<br />
Patricia Kast Caminha</p>
<p>Pela Inclusão ampla, geral e irrestrita de todos a toda sociedade e ao que ela pode e deve oferecer.</p>
<p>&#8220;Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.&#8221;<br />
Oscar Wilde</p>
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		<item>
		<title>Disdeficiência : agora um coletivo</title>
		<link>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/11/proposta2/</link>
		<comments>http://blog.disdeficiencia.net/2008/06/11/proposta2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Jun 2008 17:18:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[..Postagens]]></category>

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		<description><![CDATA[Na véspera do seu aniversário o blog &#60;&#60; d i s d e f i c i ê n c i a &#62;&#62; abre as páginas à participação de mais escritores: Francisco Lima, Gil Pena, Leandra M Certeza, Patricia Caminha e Viviane Veras. Conta também com a participação de Fábio Adirón que passa a compartilhar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Na véspera do seu aniversário o blog &lt;&lt; d i s d e f i c i ê n c i a &gt;&gt; abre as páginas à participação de mais escritores: Francisco Lima, Gil Pena, Leandra M Certeza, Patricia Caminha e Viviane Veras. Conta também com a participação de Fábio Adirón que passa a compartilhar com Ubiratan G Vieira a edição do blog. Nós, do agora coletivizável disdeficiência, damos assim continuidade para que o blog se transforme em um espaço de reflexão crítica sobre questões relacionadas à inclusão/exclusão, escrevendo sobre aquilo que se diz e se faz sobre &#8220;deficiência&#8221;.</p>
<p>Esperamos que os leitores e as leitoras possam contar com mais textos na sua busca pelo desmonte dos modelos conservadores e eugenistas, modelos com os quais ainda temos que lutar nós de corpo envolvidos na não exclusão das pessoas com &#8220;deficiência&#8221;.</p>
<ul>
<li><strong>Francisco Lima</strong> é professor de UFPE e coordenador do CEI - Centro de Estudos de Inclusão</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Gil Pena </strong>é médico patologista e pai. Dedica-se a estudos na área da educação, dentro da linha do Projeto Roma.</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Leandra Migotto Certeza </strong>é produtora editorial, jornalista, voluntária da ABOI – Associação de Osteogenesis Imperfecta.</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Patricia Caminha</strong> é pedagoga, professora das séries iniciais do Ensino Fundamental e com experiência em assessoria de Educação Inclusiva.</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Viviane Veras </strong>é mãe, tradutora, pesquisadora e professora universitária, e atua nas áreas de educação, lingüística e psicanálise.</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Fábio Adiron</strong> é marketeiro e pai. Membro do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e moderador do grupo Síndrome de Down.</li>
</ul>
<ul>
<li><strong>Ubiratan Garcia Vieia </strong>é pai, professor e atualmente desenvolvendo pesquisas sobre identidade e deficiência.</li>
</ul>
<p><span>Para acompanhar a publicação, <a title="clique e adicione o feed do blog disdeficiência a um agregador" href="http://blog.disdeficiencia.net/feed">adicione o feed a um agregador</a> - http://blog.disdeficiencia.net/feed/ - <a title="clique e receba as postagens do blog disdeficiência por email" href="http://www.feedburner.com/fb/a/emailverifySubmit?feedId=1018041&amp;loc=pt_BR">ou receba as postagens do blog disdeficiência por email</a>. </span></p>
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		<title>&#8220;Mas, você está na luta com a gente?&#8221; - dificuldades da não exclusão</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jun 2008 00:46:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ubiratan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[paradoxos]]></category>

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		<description><![CDATA[de Ubiratan Vieira
O momento que vivemos nós familiares, pessoas com deficiência e profissionais da saúde e educação não é fácil. Não há nem sequer uma linha tênue que permita a gente avaliar se o passo que damos é para frente ou para atrás. Não me refiro aos projetos políticos do movimento, que no âmbito nacional, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>de<strong> Ubiratan Vieira</strong></p>
<p>O momento que vivemos nós familiares, pessoas com deficiência e profissionais da saúde e educação não é fácil. Não há nem sequer uma linha tênue que permita a gente avaliar se o passo que damos é para frente ou para atrás. Não me refiro aos projetos políticos do movimento, que no âmbito nacional, agora mais do que nunca, está entre o patrimonialismo em Brasília, única cidade de urbanismo acessível no Brasil, e o liberalismo na internet, que não é espaço, mas é acessível, pelo menos no projeto.</p>
<p>Quando sugiro que &#8220;não é fácil&#8221;, me refiro à luta de todo dia, em casa, nos atendimentos e na escola. Ao levantar a bandeira da inclusão cuidamos para não fincá-la no peito do companheiro de luta? Pois, se familiar, se diverso-corporal (i.e. &#8220;pessoa com deficiência&#8221;), se profissional de saúde ou da educação; todos estão na luta mesmo que não queiram, mesmo que sua posição seja para nós um horror. Não estou dizendo com isso que temos que deixar de questionar qualquer posição que seja a nosso ver contraproducente. Como a de uma renomada professora universitária da educação especial, que acha que por valorizarmos o companheiro no exterior não merece nosso valor. Como se também não fosse local a luta do companheiro no exterior. Como se não fosse difícil lá também! Temos que combater sim esse tipo de mentalidade colonizada. Mas temos que compreender também que uma posição como essa, ela surge porque para essa pessoa também não está fácil. Vejam o que está acontecendo com os cursos de pós-graduação em educação especial: estão acabando. Já vão tarde? A questão não é essa! A questão é que mudanças precisam acontecer e o sofrimento pelo qual está passando uma professora de um programa de pós-graduação em educação especial precisa ser respeitado para que ela possa lutar no processo de mudança sem sentir que o fim não vai dar lugar ao começo. Porque, vai dar lugar ao começo.</p>
<p>Aconteceu com uma amiga algo que me fez pensar em tudo isso. Uma fisioterapeuta muito dedicada e carinhosa, uma profissional competente, levou um banho de xixi de uma criança levada no processo de retirada de fralda. Fazia já dois meses que a menina ia sem fralda para a fisio terapia e era o primeiro banho de urina que a fisio levava na sua experiência profissional. A coitada ficou tão chateada. Conqueta, não queria passar por essa experiência novamente. Então disse assim à mãe:</p>
<blockquote><p>Acho legal vocês estarem tirando a fralda dela e que pode ser difícil e o esforço de vocês é muito importante, mas na fisioterapia vai ter que usar a fralda porque levei um banho de xixi, e é no primeiro horário, e não posso ficar suja o resto do dia</p></blockquote>
<p>Em outras palavras ela se ausentou de sua responsabilidade profissional. Ela acha &#8220;legal&#8221; retirar a fralda da menina, mas ela também acha que ela nada tem a ver com isso? (pergunte à T.O.! [eta conhecimento fragmentado!]). Minha amiga ficou muito chateada e disse que ela podia muito bem levar uma muda de roupa, que essas coisas podem acontecer na profissão dela e que se ela não desse conta que fosse exercer na área esportiva. Achei minha amiga algo grossa, mas não disse nada, apenas assenti e disse que era uma pena que as próprias pessoas que trabalham não percebam que somos todos responsáveis uns pelos outros. Depois fiquei pensando nessa coisa da responsabilidade mútua. Afinal a fisio é tão competente.  Minha amiga podia ter simplesmente perguntado para ela:</p>
<blockquote><p>Mas, você está na luta com a gente? Não tá?</p></blockquote>
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